Meu nascimento foi comemorado com churrasquinho de gato. Sim. Pelo menos é a história contada pelo velho barbado ao qual me pareço cada vez mais com o passar dos anos. Começo a pensar que até a barriga é hereditária. Bom, pelo menos o gosto pela cerveja deve ser.
Nasci em São Gonçalo, município que fica lá do outro lado da poça, depois de Niterói e seu disco voador. Filhos ilustres dessa terra? Temos a dupla do “Só Love, só Love” – Claudinho e Buchecha para os leigos – e uma cantora baiana que jura que nasceu lá. Acho que é apenas uma jogada de marketing, mas aí estaríamos em outra história.
Quer saber onde exatamente fica? Sabe quando você for passar o carnaval lá na Região dos Lagos? Quando, no meio da estrada, um cheiro repugnante de sardinha queimar sua narina, ali é São Gonçalo.
Residi na cidade durante meus primeiros oito anos de vida. Lembro que não podia andar de chinelo porque “aqui dá rato”. E que os vizinhos viviam me dando guloseimas que também ofereciam para digamos, entidades superiores. Para mim era uma grande festa com roupas coloridas, canções que eu não entendia. E o mais importante: Tinha muita comida. Daquelas que a minha mãe me deixava comer apenas duas vezes na semana.
A vida começou a melhorar lá pelo início dos anos 90. Exatamente em 94 tivemos vários acontecimentos fantásticos: Nascimento do meu irmão, o primeiro carro zero da família, mudança para o Rio (!) e a Copa do Mundo. No início o Rio era um lugar incoerente. Muita gente, buzinas, carros demais. Logo para quem estava acostumado a ver charretes no centro da cidade, na praça Zé Garoto da agora longínqua São Gonçalo.
Todo ano mudava de escola. Achava todas chatas e acabava me interessando mais pelo recreio do que pelas aulas. Exceto geografia e história, que sempre estudei compulsivamente. Desafiava professores, fazia coisas que hoje em dia nem acredito que tive coragem e que no momento não cabe relatar. Meus pais ficavam loucos. Sou filho de um ex-militar e na época uma professora que devido as circunstâncias da vida amargurou o posto de dona-de-casa por longos anos.
Acho que pratiquei todos os esportes possíveis sem sucesso. Praticava, mas nunca queria seguir adiante, até descobrir o skateboard e semanas depois estar caçando ladeiras e me esborrachando pelo bairro do Méier, feliz da vida. Num processo natural, do skate veio o rock e logo depois a vontade de tocar um instrumento. Guitarra? Não. Comum demais. Precisava de algo desafiador e barulhento. BATERIA! Aliás, sou baterista até hoje e nunca mais vou parar. Por causa desse negócio chamado rock muita coisa vivi e posso dizer que 80% foram enrascadas que formaram meu caráter. Envolvido nesse meio estudei engenharia de áudio, trabalhei como técnico de som, roadie, diretor de palco, músico, organizei eventos e já até lancei discos de bandas através do selo musical que possuía. E nesse rodízio de afazeres trombei com o jornalismo. Tem gente que diz que perdi tempo, mas para mim eu nunca teria achado o meu norte sem antes passar pelo sul, sudeste, leste e por aí vai.
Ingressei na faculdade de jornalismo Estácio de Sá em 2008 com bolsa e um super prêmio. Devido a minha nota ter sido uma das melhores do vestibular ganhei uma viagem de um mês com tudo pago para estudar na África do Sul. Para lá fui e acabei ficando dois meses e meio. Por lá morei em mil lugares, trabalhei, estudei muito e absorvi a cultura. Não fiz como a maioria dos turistas bestas que apenas “clicam” e entram no ônibus da excursão. Aliás, nada contra os cliques, pois na faculdade de jornalismo me descobri fotógrafo.
Hoje moro em Jacarepaguá, onde ainda consigo caminhar cambaleante de sono às quatro da matina sem medo de chegar descalço em casa. Nesse semestre, por conselho de ex-professores e impulsionado pela grande vacilada da antiga faculdade com a minha pessoa, embarquei na renomada PUC-RIO, na qual ainda me sinto como cego em tiroteio.
Meu nascimento foi comemorado com churrasquinho de gato. Sim. Pelo menos é a história contada pelo velho barbado ao qual me pareço cada vez mais com o passar dos anos. Começo a pensar que até a barriga é hereditária. Bom, pelo menos o gosto pela cerveja deve ser.
Nasci em São Gonçalo, município que fica lá do outro lado da poça, depois de Niterói e seu disco voador. Filhos ilustres dessa terra? Temos a dupla do “Só Love, só Love” – Claudinho e Buchecha para os leigos – e uma cantora baiana que jura que nasceu lá. Acho que é apenas uma jogada de marketing, mas aí estaríamos em outra história.
Quer saber onde exatamente fica? Sabe quando você for passar o carnaval lá na Região dos Lagos? Quando, no meio da estrada, um cheiro repugnante de sardinha queimar sua narina, ali é São Gonçalo.
Residi na cidade durante meus primeiros oito anos de vida. Lembro que não podia andar de chinelo porque “aqui dá rato”. E que os vizinhos viviam me dando guloseimas que também ofereciam para digamos, entidades superiores. Para mim era uma grande festa com roupas coloridas, canções que eu não entendia. E o mais importante: Tinha muita comida. Daquelas que a minha mãe me deixava comer apenas duas vezes na semana.
A vida começou a melhorar lá pelo início dos anos 90. Exatamente em 94 tivemos vários acontecimentos fantásticos: Nascimento do meu irmão, o primeiro carro zero da família, mudança para o Rio (!) e a Copa do Mundo. No início o Rio era um lugar incoerente. Muita gente, buzinas, carros demais. Logo para quem estava acostumado a ver charretes no centro da cidade, na praça Zé Garoto da agora longínqua São Gonçalo.
Todo ano mudava de escola. Achava todas chatas e acabava me interessando mais pelo recreio do que pelas aulas. Exceto geografia e história, que sempre estudei compulsivamente. Desafiava professores, fazia coisas que hoje em dia nem acredito que tive coragem e que no momento não cabe relatar. Meus pais ficavam loucos. Sou filho de um ex-militar e na época uma professora que devido as circunstâncias da vida amargurou o posto de dona-de-casa por longos anos.
Acho que pratiquei todos os esportes possíveis sem sucesso. Praticava, mas nunca queria seguir adiante, até descobrir o skateboard e semanas depois estar caçando ladeiras e me esborrachando pelo bairro do Méier, feliz da vida. Num processo natural, do skate veio o rock e logo depois a vontade de tocar um instrumento. Guitarra? Não. Comum demais. Precisava de algo desafiador e barulhento. BATERIA! Aliás, sou baterista até hoje e nunca mais vou parar. Por causa desse negócio chamado rock muita coisa vivi e posso dizer que 80% foram enrascadas que formaram meu caráter. Envolvido nesse meio estudei engenharia de áudio, trabalhei como técnico de som, roadie, diretor de palco, músico, organizei eventos e já até lancei discos de bandas através do selo musical que possuía. E nesse rodízio de afazeres trombei com o jornalismo. Tem gente que diz que perdi tempo, mas para mim eu nunca teria achado o meu norte sem antes passar pelo sul, sudeste, leste e por aí vai.
Ingressei na faculdade de jornalismo Estácio de Sá em 2008 com bolsa e um super prêmio. Devido a minha nota ter sido uma das melhores do vestibular ganhei uma viagem de um mês com tudo pago para estudar na África do Sul. Para lá fui e acabei ficando dois meses e meio. Por lá morei em mil lugares, trabalhei, estudei muito e absorvi a cultura. Não fiz como a maioria dos turistas bestas que apenas “clicam” e entram no ônibus da excursão. Aliás, nada contra os cliques, pois na faculdade de jornalismo me descobri fotógrafo.
Hoje moro em Jacarepaguá, onde ainda consigo caminhar cambaleante de sono às quatro da matina sem medo de chegar descalço em casa. Nesse semestre, por conselho de ex-professores e impulsionado pela grande vacilada da antiga faculdade com a minha pessoa, embarquei na renomada PUC-RIO, na qual ainda me sinto como cego em tiroteio.