Antônio e Vera

Um ano e um dia separam a dor dos pais de Bruno Gitahy Charles, 25 anos, morto no desabamento do edifício Liberdade, das 233 (números do momento) vidas interrompidas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

É difícil quando as palavras faltam para um jornalista. Passei por isso nos últimos dias ao conversar com os pais do Bruno. Seu Antônio, um senhor de 79 anos, matuto e com um vigor físico de dar inveja a muito garoto, desaba só em ouvir o nome do filho único. Por muitas vezes fiquei dividido entre o clique e o abraço.

Nunca vou esquecer (se minha saúde permitir) da resposta de uma pergunta básica que todo jornalista faz para o entrevistado, inclusive em situações trágicas.

“Seu Antônio, queria saber a idade do Bruno quando ele faleceu”, perguntei e recebi uma resposta de pronto.

Seu Antônio disse: “Baixinho, o meu filho não tinha, ele vai fazer 26 anos no próximo mês”

E isso ainda reverbera na minha cabeça, sem parar. A dor descomunal de Antônio e Vera está agora com outros 233 pais, irmãos, namorados, maridos e esposas de Santa Maria. Ainda me impressiono em quão frágil é a vida.

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